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Antes, ALFRÍVIDA - AGORA, PERAIS |
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P E R A I S (Subsídios para a História
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A freguesia de Perais é recente. Vamos aos factos. Estava-se em 1758. O então pároco de Alfrívida, Cura Manoel Dias, dá-nos a situação daquela paróquia, num documento escrito a pedido do Marquês de Pombal que obrigou todos os párocos a descreverem a monografia das suas freguesias. Naquela data, o lugar de Alfrívida tinha 11 fogos e 36 pessoas. Esta freguesia, além da sede em Alfrivida, tinha como única povoação o lugar de Monte Fidalgo. A igreja paroquial tinha três altares. Um era dedicado a Santo António e os outros dedicados, respectivamente a Nossa Senhora do Rosário e Santo Nome de Deus. A freguesia tinha mais duas ermidas, uma de S.Miguel, à entrada de Alfrívida e outra de Nossa Senhora dos Remédios, a cerca de 5 km da sede de freguesia, num campado de azinheiras. À ermida de Nª Sª dos Remédios vinha muita gente de romagem, em todo o tempo do ano, principalmente desde o dia de São Bartolomeu (24 de Agosto) até dia de Todos os Santos. O referido pároco, nesta data, era cura anual, tinha de renda setenta alqueires de trigo e quinhentos réis para vinho e hóstias. O correio era feito a partir de Castelo Branco. Em 21 de Março de 1771, foi criada a diocese de Castelo Branco, pelo Papa Clemente XIV, na sequência da elevação de Castelo Branco a cidade, por D. José I, em 1770. Nesta pequena diocese foram integradas as paróquias da região. Consta que a freguesia de Alfrívida teve sempre pároco residente. A pequena diocese de Castelo Branco nem sempre teve bispo residencial. De 1831 a 1881, foi governada por um governador apostólico, sendo bispo o cardeal patriarca de Lisboa. No princípio do séc. XIX a distribuição da rede concelhia, no país, encontrava-se numa situação caótica, a nível nacional. Por decreto de 6 de Novembro de 1836, o concelho de Vila Velha de Ródão foi extinto, como tantos outros. No entanto, em 1842, pelo Código Administrativo de 18 de Março, viria a ser restaurado, para gáudio dos seus habitantes. Nesta data (1842) e neste contexto as povoações de Coutada, Perais e Vale de Pousadas foram desanexadas da freguesia de Vila Velha de Ródão, passando para a freguesia de Alfrívida. Em 1879, a Diocese de Castelo Branco era governada pelo Vigário Geral Joaquim José Pombo, como administrador apostólico, sob a jurisdição do Cardeal Patriarca de Lisboa. Nesta altura, o estado da Igreja de Alfrívida não estaria em boas condições de conservação, donde, o pároco, de nome Izidoro Gomes Ruivo, terá pedido ao Vigário Geral a transferência da sede da freguesia de Alfrívida para a vizinha povoação de Perais que tinha uma capela e um cemitério em bom estado de conservação. O pedido do pároco foi aceite, tendo o Vigário Geral passado uma Provisão, a 09 de Abril de 1879, em que se declara que de futuro, a nova Matriz da freguesia de Alfrívida seria a Igreja de Perais, com a seguinte denominação: "Freguesia de Alfrívida com Sede e Igreja Matriz em Perais".
Teor da Provisão: "Aos que esta minha Provisão virem, saúd e paz para sempre. Faço saber que, attendendo as informações que me foram dadas pelo actual párocho da freguesia de Alfrívida desta Diocese, e visto achar-se a Egreja ultimamente edificada no povo dos Peraes para servir de Matriz da dita freguesia de Alfrívida em estado de n'ella poderem ser celebrados os Officios Divinos; e bem assim achar-se o cemitério contiguo à nova Egreja em condições de n'elle se poderem faser os enterramentos dos fiéis defuntos da mencionada freguesia; por esta minha Provisão autorizo o Revdº Párocho acualmente encarregado de parochiar a freguesia a proceder à benção da ditta Egreja e de seu Cemitério conforme o ceremonial para isso estabelecido. CONCEDO, porem, que o enterramento dos defuntos do povo de Alfrívida continuem a ser feitos no Cemitério do ditto povo; e que na antiga Egreja de Alfrívida se conserve a Imagem de S. Miguel assim como os paramentos necessários para ahí se poder celebrar o Santo Sacrifício da Missa conforme a devoção dos fiéis. Auctorizo igualmente o mesmo Revdº Parocho a poder remover processionalmente e com o possível apparato da antiga Egreja de Alfrívida para a nova dos Perais, o Santíssimo Sacramento, Imagens e Alfaias do Culto Divino. Dada na Câmara Ecclecª da Diocese sob meu signal e Sello de que uso aos 9 de Abril de 1879. Eu Pedro de Mello Coutinho, escrivão interino a escrevi. Joaquim Jose Pombo O Parocho Izidoro Gomes Ruivo
O pároco de Alfrívida respondeu da seguinte maneira: "Dou conhecimento a V. Exa que no dia 17 do corrente mês, procedi à Benção da Nova Matriz dos Peraes e seu Cemitério acompanhado do Presbytero, Pe. Martinho Batista. Outrosim que neste mesmo dia se fez a remoção das Imagens processionalmente da Egreja de Alfrívida para a nova Egreja Matriz dos Perais com decencia e respeito, celebrando o Santo Sacrifício da Missa em louvor do Culto Divino. Deus guarde a V. Exca. Perais, 19 de Abril de 1879 O Parocho Pe Izidoro Gomes Ruivo.
Não sabemos se a igreja de Alfrívida, em mau estado de conservação, teria condições para "conservar a imagem de São Miguel assim como os paramentos..." O que sabemos é que a referida imagem de São Miguel, venerada numa pequena capela (que já não existe), situada à entrada de Alfrívida, foi levada para a capela de Monte Fidalgo que também não estava em boas condições de conservação, mas onde ficou, até hoje. Refira-se que esta capela de Monte Fidalgo - capela de Nossa Senhora de Lurdes - foi restaurada pelo povo, na décade de 80 do século XX. A igreja da povoação de Perais era uma pequena capela, antiga, situada no local da atual igreja, num estado de conservação melhor que a de Alfrívida que estava em ruínas e que a de nossa Senhora de Lurdes, em Monte Fidago, também em estado de degradação. Donde, a necessidade urgente de celebrar o culto na única igreja (capela) que possuía condições para tal - Perais. Designação, no âmbito religioso: Freguesia de Santo António de Alfrívida com sede em Perais. Padroeiro: Santo António. Designação, no âmbito civil: Freguesia de Alfrívida.
História: Em 1758, sabemos, pelo relato do vigário frei João Baptista - pároco de Vila Velha de Ródão - que a freguesia de Vila Vellha de Ródão abrangia as povoações de Coutada, Perais, Vale de Pousadas e Casa Telhada. No início do séc. XIX, a distribuição da rede concelhia, a nível nacional, encontrava-se numa situação caótica. Por Decreto de 6 de Novembro de 1836, o concelho de Vila Velha de Ródão foi extinto, juntamente com muitos outros. Em 1842, para gáudio do povo, o concelho de Vila Velha de Ródão foi restaurado pelo Código Administrativo de 18 de Março. Nesta nova reorganização administrativa as povoações de Coutada, Perais, Casa Telhada, Vale de Pousadas e o povoado particular de Lucriz, onde existia uma capela particular, dedicada a Nª Sª da Graça?, foram desanexadas de freguesia de Vila Velha de Ródão e anexadas à freguesia de Alfrívida.
Com a implantação de República, nos anos de 1910 a 1923 a freguesia esteve anexada à freguesa de Vila Velha de Ródão. No entanto, a Lei Nº 1484 de 1 de Novembro de 1923, publicada no Diário da República, desanexou desta freguesia a antiga freguesia de Alfrívida e restabeleceu a sua autonomia administrativa. Mais tarde, o Decreto-Lei Nº 37775 de 6 de Março de 1950 determinou que a freguesia de Alfrívida, do concelho de Vila Velha de Ródão, passase a denominar-se "Perais". Agora, passou a existir uma discrepância na designação da paróquia, por parte da autoridade religiosa e poder civil: nos registos paroquiais a freguesia continuava a ser identificada por "Alfrívida, com sede em Perais", enquanto no ambito civil era designada simplesmente por "Perais". Assim permaneceu até 1956, ano em que, por decreto do bispo diocesano, D. Agostinho de Moura, a paróquia (freguesia) de Alfrívida se passou a chamar de "Perais".
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