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HISTÓRIA DA QUARESMA |
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Jejum - Oração - Partilha |
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Somente a partir do século IV a Igreja teve liberdade de culto, mas já havia a mentalidade de que a Igreja devia vivenciar um tempo forte, antes da Páscoa, com jejum e oração, imitando a prática de Jesus, após o seu batismo no Rio Jordão. Existiu, no entanto, uma controvérsia não somente sobre o dia em que se devia celebrar a Páscoa, mas também sobre a própria maneira de praticar o jejum. Alguns defendiam que deviam jejuar uma semana, outros duas semanas, outros ainda mais. Existem informações de escritores contemporâneas de que os cristãos que viviam no deserto egípcio já praticavam o jejum de 40 dias, após a festa do Batismo de Jesus no rio Jordão, que festejavam a 6 de janeiro. Devido à instabilidade da Igreja, causada pelas perseguições constantes, não havia legislação litúrgica. A legitimação” do cristianismo após o Edito de Milão (313 d.C.), pelo Imperador Constantino, tornou possível a criação de um calendário litúrgico abrangente e unificado. Depois do Concílio de Niceia, celebrado no ano 325, a quaresma foi oficializada com a prática do jejum de 40 dias. A esta prática acrescentou-se a oração e a esmola ou partilha, como expressão da caridade. Porém, o mais importante da lei do jejum e da abstinência de carnes não eram as práticas exteriores, muitas vezes realizadas sem um sentido mais profundo, mas sim as motivações com as quais se pratica o jejum, as mortificações e outros atos próprios do período quaresmal. A prática do jejum e da abstinência de carne durante a Quaresma, desde o início, foi incentivada pela Igreja, mas as normas foram-se modificando ao longo dos séculos. No século V, por exemplo, era permitida uma refeição no final da tarde, mas a carne já não era permitida nem sequer aos domingos. A carne, o peixe e, em muitos lugares, os ovos e produtos lácteos eram absolutamente proibidos. Nas igrejas orientais, ainda hoje são seguidas regras bastante parecidas. Os cristãos não podem comer animais vertebrados ou produtos derivados de vertebrados, isto é, nem carne, nem peixe, nem ovos, nem queijo, nem leite. No ocidente, no começo, era permitido um pequeno lanche, depois o peixe foi aceite e, finalmente, aceitou-se também a abstinência de carne apenas na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Além disso, os produtos lácteos também se tornaram permitidos. Entretanto, as normas mudaram bastante, não só na celebração da Páscoa, como na prática do jejum. No século XVI foi adotado um novo calendário - o Calendário Gregoriano – para corrigir o antigo Calendário Juliano que acumulava, desde há muitos séculos, um atraso de 11 dias em relação ao ano solar. Para acertar o Calendário Gregoriano com o ano solar, o Papa Gregório XIII determinou que o dia seguinte à quinta-feira, 4 de outubro de 1582, seria sexta-feira, 15 de outubro de 1582. O novo calendário, apresentado ao mundo pelo Papa Gregório XIII, foi adotado por muitas nações do ocidente, enquanto as nações do oriente continuavam apegadas ao seu antigo Calendário Juliano. Daí, a diferença de datas na celebração da Páscoa, entre oriente e ocidente. Atualmente, os católicos devem jejuar na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa, abstendo-se do consumo de carne nestes dias. Muitos consideram ter havido um relaxamento completo das normas e da vivência da Quaresma, mas, por outro lado, é importante perceber que a prática do jejum e dos outros procedimentos quaresmais, como a partilha e a oração, nunca devem ser impostos como uma obrigação, mas como uma prática espontânea e livre, como expressão do amor a Deus e ao próximo, tendo assim, muito mais valor. Acerca da divergència na celebração da Páscoa, o Papa Francisco trabalhou incansavelmente, para a unificação da celebração deste dia tão importe para todas as igrejas cristãs - do oriente e ocidente. A celebração no mesmo dia daria mais valor e significado à festa da Páscoa, dia por excelência das Igrejas Cristãs. |
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